04/05/2026

Cigarro eletrônico causa impactos pulmonares em pouco tempo

São sintomas comparados ao cigarro convencional, gerando tosse com muco e alterações na função respiratória

Cigarros eletrônicos são consumidos por pessoas mais jovens (Foto: Homéro Ferreira)

 

O cigarro eletrônico, mesmo com pouco tempo de uso, é capaz de causar sintomas pulmonares comparados ao cigarro convencional; gerando tosse com muco e alterações na função respiratória.

A constatação é da pesquisa científica que resultou na dissertação “Efeitos respiratórios do uso do cigarro eletrônico em adultos jovens: um estudo transversal”, produzida pela médica Priscila de Alvarenga Beleigoli.

Estudo envolveu 111 participantes de 18 a 45 anos de idade, distribuídos em quatro grupos, sendo 31 fumantes exclusivos de cigarros eletrônicos, 31 de usuários de cigarros convencionais e 16 mistos, mais o grupo controle com 33 não fumantes.

A pesquisa foi desenvolvida em Guarujá, no litoral paulista, com a aplicação de questionários sociodemográficos e de sintomas respiratórios, dentro dos padrões do Inquérito Europeu sobre a Saúde Respiratória da Comunidade (ECRHS).

Também foi aplicado questionário de dependência nicotínica, além de avaliações antropométricas e função pulmonar.  As comparações entre grupos foram realizadas conforme a distribuição dos dados, adotando-se nível de significância de 5%.   

Os fumantes convencionais e usuários mistos apresentaram pior função pulmonar, com redução significativa da relação volume respiratório forçado (VEF) e capacidade vital forçada (CVF), que não parâmetros espirométricos para avaliar a função pulmonar.

Dependência nicotínica

O estudo aponta que a frequência de sintomas respiratórios foi maior nos grupos de usuários, com destaque para tosse (p=0,011) e produção de catarro em período igual ou superior a 3 meses ao ano (p=0,013), em comparação ao controle.

A orientadora do estudo, Dra. Renata Calciolari Rossi, que explica que todo valor menor que 0,05 é significativo.  A dependência nicotínica foi mais elevada entre tabagistas convencionais, seguida por usuários mistos e de cigarros eletrônicos.

A conclusão é a de que fumantes convencionais e usuários mistos (eletrônico e convencional) apresentaram redução significativa da relação aos parâmetros espirométricos e maior dependência nicotínica.

Tosse e produção de catarro por 3 meses ou mais ao ano foram mais frequentes entre os grupos usuários em comparação ao controle, indicando repercussões respiratórias associadas ao uso desses produtos.

O fato de não apresentarem resultados significativos para usuários de cigarros eletrônicos, com relação as alterações de sintomas e função pulmonar, é associado a ser um grupo muito jovem, que fuma a menos tempo.

Porém, mesmo com pouco tempo de uso os sintomas do cigarro eletrônico são comparáveis aos de usuários de cigarro convencional; conforme destaca a Dra. Renata que destaca a relevante coorientação da Dra. Marceli Rocha Leite.

Aprovação como mestre

A defesa pública da dissertação foi avaliada pelo Dr. Ricardo Beneti, da Unoeste, pela Dra. Débora Tavares Resende e Silva, da Universidade Federal da Fronteira do Sul, de Chapecó, em Santa Catarina.

A médica Priscila de Alvarenga Beiligoli foi aprovada para receber o título de Mestre em Ciências da Saúde, junto ao Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde, pelo qual a Unoeste oferta mestrado e doutorado, em Presidente Prudente.

Natural de Jundiaí, no interior paulista, a autora do estudo é médica especialista em medicina de família e comunidade, com atuação no Sistema Único de Saúde (SUS) há dez anos e seis como professora da Faculdade de Medicina da Unoeste em Guarujá.

Atualmente é responsável pela disciplina do Programa de Aproximação Progressiva à Prática (Papp) e pelo internato de medicina de família e comunidade no campus de Guarujá, onde também atua como professora a Dra. Marceli.

“A motivação pelo mestrado foi de aprimorar minha qualificação principalmente na área acadêmica”, comenta autora do estudo voltado para comparar função pulmonar, os sintomas respiratórios e o grau de dependência nicotínica.

A pesquisa levou em consideração que cigarros eletrônicos produzem um aerossol inalado pelo usuário e seu uso tem aumentado, especialmente entre adultos jovens; sendo que seus efeitos respiratórios ainda não estejam totalmente esclarecidos.


Legenda: Cigarros eletrônicos são consumidos por pessoas mais jovens
Créditos: Homéro Ferreira
Legenda: Médica Priscila de Alvarenga Beleigoli: aprovada para receber o título de mestre em Ciências da Saúde
Créditos: Cedida
Legenda: Dra. Renata Renata Calciolari Rossi: orientadora
Créditos: Homéro Ferreira
Legenda: Dra. Marceli Rocha Leite: coorientadora
Créditos: Cedida